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Aurora sem dia
Machado. Um Conto · Conto 12

Aurora sem dia

Narração

Conto “Aurora sem dia”, de Machado de Assis, publicado no Jornal das Famílias, entre novembro e dezembro de 1870, presente no livro Histórias da Meia Noite (1873), lido por Victor Creti.

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Conversa — Entrevista com Céline Clément

Nosso protagonista, Luís Tinoco, “possuía a convicção que estava fadado a grandes destinos, e foi esse durante muito tempo o maior obstáculo da sua existência.” Sonhador incorrigível, fecundo escritor, alinhavador de ninharias, Luís vive em pleno período romântico e reza na cartilha do lirismo ultrarromântico sentimentalóide. Muito provavelmente nosso poeta foi a individuação ficcional do tipo “parasita literário”, cunhado pelo próprio Machado: literato medíocre que tenta a qualquer custo conquistar seu espaço no mundo das letras. E também muito provavelmente o Dr. Lemos seja a individuação do crítico literário clássico bem alinhado ao que Machado postula no texto O ideal crítico, de 1865. Luís Tinoco não consegue perceber os limites entre o mundo da ficção e o mundo real embaralhando vida e literatura, e suas citações, ao longo do conto, encarnam generalidades que circulavam, sobretudo clichês românticos com pouca ou quase nenhuma consistência de entendimento. O conto explicita, sem rodeios, uma posição machadiana favorável ao trabalho rigoroso com a forma como único caminho de se atingir qualidade literária. Nossa convidada é a filósofa, tradutora e professora de francês, Céline Clément. Céline propôs uma discussão sobre como este conto é uma sátira ao ambiente literário da época, nos chamando a pensar em para quem Machado fala neste conto, quais seriam seus leitores ideais e seus escritores ideais. Às vésperas da nossa gravação, a professora aposentada e crítica literária, Aurora Bernardini, teve uma sua avaliação crítica estampada no jornal Folha de São Paulo: segundo ela “Itamar, Ernaux e Ferrante são interessantes, mas não literatura.”, afirma que Itamar (Vieira Junior) não tem estilo particular e que (Elena) Ferrante e (Annie) Ernaux não passam de best-sellers. Céline, eu e Victor tivemos a felicidade de poder discutir o formalismo e o elitismo da decana uspiana atravessando uma Aurora sem dia.

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