
A causa secreta
Narração
Conto “A causa secreta”, de Machado de Assis, publicado na Gazeta de Notícias, em 1º de agosto de 1885, presente no livro Várias Histórias (1896), lido por Eugênia Fraietta.
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Machado de Assis desenvolveu em vários contos e romances o tema da interpretação equivocada das aparências, equivocada porque superficial, porque ditada pelo senso comum, porque produto de algum interesse pessoal que distorce o real produzindo uma realidade em que a violência é naturalizada. Lembremos de Bento Santiago analisando Capitu no velório de Escobar: ser a única que não caíra no choro foi suficiente para ser a prova do adultério. Também temos Procópio, em O enfermeiro, tremendo de culpa à beira do caixão de sua vítima, enquanto todo o velório lhe admirava a comoção pelo odioso Coronel Felisberto. O que pensar, então, de um benemérito e dedicado capitalista proprietário de hospital, Fortunato, que chuta cães quando acredita estar sozinho à noite, tortura ratos e tem uma fé inabalável nos cáusticos? Mas o que dizer de um seu amigo, Garcia, que identifica sua perversidade e continua a seu lado, como médico de seu hospital e frequentador habitual de sua casa? O que dizer, então, da esposa de Fortunato, Maria Luísa, amada por Garcia e morta pela tuberculose? Nossa convidada é a Tarsilla Couto de Brito que escolheu este conto porque levou muito a sério a ideia de segredo e passou muito tempo achando que não tinha entendido qual era a causa secreta. Se a causa secreta não é (apenas) o sadismo de Fortunato, quais são as apostas da Tarsilla? Falamos sobre pacto da masculinidade, sobre como toda descrição encobre o inconsciente literário do texto, sobre qual forma social o triângulo amoroso na literatura apresenta e, sobretudo, qual o papel da mulher nessa formulação social.
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