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A carteira
Machado. Um Conto · Conto 15

A carteira

Narração

Conto “A carteira”, de Machado de Assis, publicado em A Estação, em 15 de março de 1884, presente na coletânea Contos na Imprensa - Fase 8 (1884), lido por Victor Creti.

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Conversa — Entrevista com Guga Valente

Sabe aquele conto curtinho, com revelação bem no último parágrafo, melhor, na última linha, tipo chave de ouro e plot-twist ao mesmo tempo? É bem assim este continho A carteira, uma verdadeira pérola machadiana. Parece fácil, mas vai além desse, digamos, desfecho surpreendente e, aparentemente, tão datado. Então além de pérola, também parece concha. Concha e pérola ao mesmo tempo. Voltando ao conto, no sentido de reler, o tema da denúncia se desdobra para além da condição material periclitante do protagonista, Honório, e seu desejo quase incontrolável de ficar com o recheio vultuoso da carteira encontrada ao acaso (um acaso bastante espinhoso: dia de pagar uma dívida de quatrocentos mil-réis). Outras denúncias vêm à superfície, denúncias mais íntimas e até estruturais daquele recorte social e temporal. Neste conto, a revelação da última linha só se revela ao leitor (com o perdão da aparente redundância); na dimensão da vida de Honório, de sua esposa, Amélia, e de seu “mui” amigo, Gustavo, tudo continua na mais perfeita normalidade: Honório segue endividado, a esposa permanece ignorando a situação financeira do marido, e Gustavo...bem, Gustavo também deve ter retomado suas atividades. Nosso convidado foi o Guga Valente, professor de língua portuguesa e redação e artista gráfico. O Guga tem um xodó com este conto e, além de formulá-lo em termos hamletianos, “Devolver a carteira encontrada ou não devolver, eis s questão!”, propôs mais uma releitura com a pergunta “Qual é a desse narrador?” e, claro, levantou a lebre do uso tão significativo dos nomes próprios neste autor.

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